Skol Beats 2008
por DJ Jack

02/10/2008

Skol Beats 2008

Considerado um dos maiores festivais de música eletrônica da América Latina, o Skol Beats chegou a sua 9º edição, e com um diferencial (?) – foi o público que escolheu através de um fórum como seria o line up, local do evento, formato, entre outras coisas. Resultado? Um festival bem organizado, sem lotação, mas que ficou devendo no artístico, principalmente pelo palco principal ter sido uma salada mista de estilos.

Chegamos ao Anhembi por volta das 22h, sem trânsito, sem muvucas pra entrar, uma maravilha! Com isso confesso que já fiquei bem feliz, pois esperava o contrário, visto que o Justice, um dos principais (se não o principal) headliners do evento estava marcado para começar às 23h. O único ponto negativo na entrada foi a revista feita pelos policiais, que pelo jeito não estavam muito preocupados se o público estava entrando com armas ou coisas do tipo, apesar que dentro do Anhembi estava cheio de policiais.



Enfim, já na frente do palco principal nos deparamos com uma bela estrutura de iluminação, lasers, telões de led, entre outras coisas, e quem se apresentava era o MixHell, dupla formada por Igor Cavallera e sua esposa, que tocam electro-rock e new rave. Nessa hora o público já estava animado e também já se preparando para o que viria a seguir.

Justice

Bom, confesso que estava empolgadíssimo para ir nesse Skol Beats somente pra ver a dupla francesa tocando, pois desde quando ouvi o álbum “Cross “ me apaixonei pelo trabalho dos caras. Imaginem uma mistura de Daft Punk com rock – é mais ou menos com isso que o Justice parece... rs




Formado por Gaspard Michel Andre Augé e Xavier de Rosnay Dulong, o Justice já foi ovacionado em diversos festivais pelo mundo, e o Brasil foi escolhido para ser o palco de sua última apresentação da turnê, visto que eles já haviam anunciado que depois dessa última leva de shows iriam dar um tempo e criar uma nova musicalidade. Vamos ver o que vem por aí, né?

O show começa com “Genesis”, faixa que abre o CD “Cross” e que tem todo um clima de “abertura”, já levando o público ao delírio.




Em seguida começa um grande “megamix” de músicas do álbum, como “Phantom”, “D.A.N.C.E.”, “Waters of Nazareth”, “Newjack”, “Stress”,  entre outras, todas em versões “live”, totalmente diferentes de suas versões originais e com uma pegada bem mais “pesada” e suja. Em certos momentos confesso ter ficado decepcionado, pois eu preferia as versões originais...rs... Mas isso não tirou o brilho da apresentação. O ápice foi quando eles tocaram o remix que eles fizeram para a música “We Are Your Friends” do Simian – a pista foi ao delírio e ouvia-se o coro do público cantando de longe.




Resumindo, gostei da apresentação, esperava um pouco mais, mas acredito que depois de ter visto Daft Punk e ter achado um dos melhores de minha vida, devo ter achado que seria no mínimo igual... :P

Mas foi excelente, só isso já tinha valido a ida ao Skol Beats 2008.

Tenda Terra

Depois do Justice fomos dar uma relaxada e descansar as pernas para agüentar o resto da noite. Miguel Migs estava tocando na tenda patrocinada pelo Terra, e que, diga-se de passagem, foi a única que não teve escolha do público e foi uma das melhores do festival esse ano. Meio estranho isso, não?



Enfim, o som do Migs era uma coisa mais housera “praia”, muito bom por sinal, e na entrada da tenda deu pra encontrar os amigos, tomar uma cerva e bater um papo até o Pendulum começar a tocar.

Pendulum

Depois de algumas cervejas fomos ver o tal do Pendulum, a banda australiana que mistura rock com eletrônico, resultando num drum ‘n’ bass bem pesadinho.



Formado por 2 guitarristas, baixista, baterista, tecladista e vocal, a banda empolga qualquer um quando se apresenta, pois a presença de palco dos caras é fora do normal, eles não param um minuto, além da música ser totalmente pra cima, obviamente.

Seus maiores hits – o remix feito para “Voodoo People” do Prodigy, e “Slam” – foram o ápice da apresentação, levando a platéia à loucura!




Tenda Terra (de novo)

Depois de ter visto o Pendulum, vamos descansar de novo, né? Ainda mais depois dessa porrada na orelha...rs

Quem estava tocando na tenda era um dos ícones nacionais, Renato Cohen, e confesso ter ficado surpreso com seu som, pois apesar de fazer um tempo que não o via tocar, a última vez eu achei bem fraquinho, um som muito introspectivo... Mas dessa vez não, ele estava o Renato que eu conhecia, de tempos atrás...rs.



Uma grande mistura de techno e tech-house fazia o público gritar e levantar as mãos para o alto. Faixas como um remix de “Fly Life” do Basement Jaxx foram o ponto alto do set, além de, claro, “Pontapé”, que em um remix (?) novo fez todo mundo pular 3 metros de altura.

Pra mim foi disparado um dos melhores sets da noite, apesar de não ter visto muitos outros, é claro!

Tenda Skol

Antes de voltarmos de novo para o palco, onde o Armin se apresentaria, fomos dar uma passada na tenda Skol, para ver um pouco do Steve Angello e Sebastian Ingrosso, que na minha opinião seria uma das melhores apresentações de DJs no Skol Beats. Chegando lá confesso que já me arrependi de cara, pois eles tocavam um som muito arrastado, tribal, o que não faz meu gosto, então demos meia-volta e voltamos para o palco.




Armin van Buuren

Chegando no palco, os “Armin maníacos” já estavam apostos, e o holandês já ecoava suas primeiras faixas nos decks.



Em 2006 Armin foi uma das melhores atrações do Skol Beats, na minha opinião, e não havia sido considerado como um dos headliners naquele ano. Em compensação, nesse ano ele foi um dos principais chamarizes, porém viu sua chama ser um pouco “apagada” por conta das outras tantas atrações do palco, até mesmo pela salada mista que eu disse no começo do review.

Armin começou com algumas faixas de seu novo álbum “Imagine”, que sinceramente (na minha opinião) é um dos piores de sua carreira, muito apelativo, e depois foi subindo para algumas faixas mais uplifting, e em outras horas mais tech trance. Arriscou alguns remixes como “Harder, Better, Faster, Stronger” do Daft Punk feito pelo Deadmau5, além do pesadíssimo bootleg de “Smells Like Teen Spirit” do Nirvana feito pelo BK, e “Madagascar” do Art of Trance no remix de Richard Durand.




Resumindo, o Armin era pra ter sido uma das grandes atrações, mas acabou perdendo o brilho por conta desse “está nas suas mãos” criado pela Skol...  Acredito que se ele tivesse tocado na tenda teria sido bem “melhor”.

Resumo da Ópera

O festival em si foi muito bem organizado esse ano – não vi brigas, nem filas intermináveis nos bares, banheiros, tendas muito melhores dispostas, bem arejadas e decoradas, mais “claras”, etc. Mas por outro lado deixou a desejar no artístico que, convenhamos, é o principal atrativo. E claro, estou falando aqui sobre os DJs e Lives que pude assistir, pois como em qualquer festival é completamente impossível se ver de tudo um pouco, se não você acaba não vendo nada...rs

Notas:  9.0 – organização, 7.0 – artístico

Ano que vem ele chega em sua décima edição, será que será algo marcante? Ou será o público quem irá escolher “de novo”?

Ninguém sabe, mas todos nós esperamos um festival digno de FESTIVAL, pois eu pelo menos tenho grandes lembranças de edições históricas do Skol Beats e que, pelo jeito, não voltam mais.

A única coisa que todos pedimos é: “botem mais trance de VERDADE, por favor”! Muitos vão agradecer!

Fotos: Natalie Bovino e Assessoria Skol Beats
Vídeos: Natalie Bovino

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