01/12/2008
Com datas marcadas para tocar no Brasil, dia 05 no club Nox em Recife e dia 06 na State of Trance na Pacha em São Paulo, o Energy BR conversou com Brian Transeau, mais conhecido como BT, um dos maiores produtores de música eletrônica do mundo, que fala um pouco de sua carreira e de seus projetos. Confira!
01 - Olá Brian! Muito obrigado pela sua entrevista, é uma grande honra para todos nós. Mas vamos lá, começando pelas perguntas básicas: qual seu verdadeiro nome, quantos anos tem, onde vive atualmente, quais os seus gostos, etc...
Meu nome é Brian Transeau, tenho 36 anos e meus hobbies são pintar, ler, matemática e praticar yoga.
02 - Você é um dos maiores produtores de música eletrônica do mundo, já remixou e produziu nomes como Sting, David Bowie, Madonna, Seal, Sarah Mclachlan, entre outros. Gostaríamos de saber como foi o começo disso tudo, como surgiu a idéia de se tornar um produtor de música eletrônica, e quais foram as suas influências?
Eu comecei estudando música clássica. Minhas grandes influências foram Debussy, Depeche Mode, New Order e Pink Floyd.
03 - Além de músicas para as pistas, você também produz trilhas para cinema e games. O que você acha mais prazeroso, criar uma trilha que faça as pessoas dançarem ou uma trilha de “acompanhamento” para um filme ou game?
Eu amo os dois por diferentes razões. Trabalhar com filmes é um desafio muito específico, afinal você tem o suporte de uma imagem para criar a trilha. É bem mais sutil. Mas eu prefiro produzir músicas para se ouvir.
04 - Você é um produtor que não se prende a rótulos, produz desde trance até breakbeat. Como você administra isso? Cada dia acorda com uma idéia diferente ou são fases que você investe em determinado estilo?
Eu amo diferentes estilos de música, e estou sempre combinando e tocando coisas velhas, novas e tudo que esteja entre isso. Eu sou inspirado por estranhas combinações que muitas vezes não são possíveis de se trabalhar. Eu gosto de contrapor ou muitas vezes sobrepor coisas que não fazem o menor sentido e dar a elas uma emoção, forçar a criar um sentido. Isso é um desafio muito bizarro, mas eu faço sempre. Isso me inspira.
05 - E entre as suas produções que mais se destacaram no mundo, existe alguma que você ache especial? Qual e por quê?
Posso dizer que é “Flaming June”, porque ela já tem mais de 12 anos e eu ainda vejo pessoas no mundo todo que a adoram, pois ela está como uma das mais vendidas nos clássicos da Beatport. E na dance music 12 anos é como se fossem mil anos, isso quer dizer que ela tem uma qualidade durável que é realmente poderosa e sou orgulhoso disso.
06 - Seu último trabalho, o “This Binary Universe” lançado em 2007, é um projeto multimídia, baseado em sons IDM e ambient. Conte pra gente um pouco sobre como surgiu a idéia esse projeto.
Estudei música clássica quando era criança e jazz quando era adolescente. E eu quis achar um ponto mediano para estas minhas paixões e influências, que foi transposto por meu amor aos softwares e instrumentos eletrônicos. Cada batida desse álbum foi feito na minha “drum machine” surround. São mais de 800.000 linhas de códigos em C++ e demorou mais de 5 anos para ser feito.
07 - E quais são os seus próximos projetos? Podemos esperar mais faixas para as pistas?
Algumas, claro! E muitas surpresas…
08 - O que você usa em estúdio na hora de produzir? Hardwares, softwares...
Eu uso tudo desde "circuit bent" de brinquedos de criança até softwares que eu crio. Em meu novo álbum usei muita coisa dos meus synths antigos. É incrível ver a qualidade sonora desses equipamentos comparados aos de hoje. Incrível mesmo!
09 - Em sua opinião, você acha que a música eletrônica está banalizada ou ela apenas está um pouco sem personalidade, visto o tanto de produtores que surgiram no mercado devido ao mp3?
Eu acho que depende. Não há muitos produtores musicais. Especialmente agora com essa onda de minimal, em que os sons espaciais são incríveis, mas não é música. É por isso que eu adoro o som do Trentemoller, ele consegue trabalhar os dois conceitos, sons espaciais e sons de pista. E isso na música eletrônica é muito raro.
10 - Além de música eletrônica, o que você gosta de ouvir?
Realmente eu não ouço música eletrônica, pois trabalho com ela o tempo todo. Gosto de ouvir bandas indie e música clássica.
11 - Aqui no Brasil seu nome é muito ligado ao trance, principalmente pelo que você criou no passado e pelas parcerias com Tiësto e a Jan Johnston. O que podemos esperar musicalmente de BT em sua passagem pelo Brasil?
Muita energia e um mix de tudo que possam imaginar, de faixas intimistas a progressive e trance, e claro, muitas de minhas produções. :D
12 - E o que você espera do público brasileiro?
Eu amo a cultura brasileira! Um povo que adora dançar, as mulheres são lindas e a comida é incrível. O que mais eu posso esperar?
13 - Muito obrigado pela entrevista, Brian! Deixe aqui uma mensagem para os leitores do Energy BR e todos os seus fãs brasileiros. Estamos todos ansiosos para suas apresentações no Brasil em dezembro!
É um grande prazer! Vejo todos em breve...
http://www.btmusic.com http://www.myspace.com/btnetwork
Pra quem quiser conhecer um pouco mais de suas músicas, acesse a última edição no iTrance no site do rraurl e confira: iTrance #17 - Especial BT |