Solarstone
por Energy BR

14/04/2009

Com o anúncio do lançamento de sua mais nova série de compilações, Rich Mowatt, mais conhecido como Solarstone, concedeu uma entrevista exclusiva ao Energy BR para falar desse seu novo trabalho e sua carreira. Confira!

01 - Olá Rich! Muito obrigado pela sua entrevista, é uma grande honra para todos nós. Mas vamos lá, começando pelas perguntas básicas: qual o seu verdadeiro nome, quantos anos tem, onde vive atualmente, quais os seus gostos, etc...

Olá, meu verdadeiro nome é Rich Mowatt, estou com 37 anos e vivo em algum lugar no meio de Wales. Meus hobbies, quando tenho tempo, incluem cozinhar, caminhar e frequentar spas de luxo.

02 - Há quanto tempo você já é DJ, e quais foram suas influências para entrar nessa carreira?

Eu evitei trabalhar como DJ por muito tempo, sempre recebia muitos convites, mas preferia passar meu tempo produzindo no estúdio. Finalmente, por volta de 2003, decidi experimentar, e foi na Gatecrasher em UK. Isso ajudava muito a divulgar meu trabalho como produtor. Hoje em dia estou muito satisfeito como DJ, e sou muito auto-crítico com isso.

03 – E como produtor, há quanto tempo você produz? O que costuma usar para produzir?

Eu lancei meu primeiro single em 1992 – era de uma banda chamada “Emission” e o disco se chamava “Life’s Not Real”. Era uma mistura de Indie-Dance com guitarras. Algo parecido com The Shaman e EMF. Mas eu sou muito dedicado à produção, procuro sempre usar algo em que eu possa colocar as minhas mãos. O que eu tendo a evitar são os presets de vst, que é uma maneira incrivelmente preguiçosa de se produzir – é por isso que tanta música hoje em dia soa genérica. O mais engraçado é que recentemente saiu um preset de vst chamado “Seven Cities” – que ficou uma merda.

04 – O Solarstone já está em sua terceira fase, visto que você já trabalhou com mais 2 integrantes que foi o Sam Tierney e o Andy Bury de 1994 a 1997, e depois só com o Andy até 2006, fase em que vocês criaram verdadeiros hinos do trance, como “Seven Cities”, “Solarcoaster”, etc. Hoje o Solarstone é seu trabalho solo, como você define o estilo de produzir e tocar nessa atual fase?

Na parte de produção pra mim não mudou muita coisa, até porque agora eu tenho total liberdade para criar e expor minhas idéias. A produção do Solarstone sempre esteve no meu comando. Quando o “Rain Stars Eternal” foi lançado, foi uma simples continuação do que eu vinha fazendo nos últimos 10 anos, mas sem a frustração de um choque de direção musical. O trance corre no meu sangue e isso é o Solarstone. Eu sempre gostei de trabalhar com grandes músicos e vocalistas, como Nyje Summers, Julie Scott e Elizabeth Fields, ele sempre somam algo positivo para a música.

05 – Você acabou de anunciar o lançamento da compilação “Eletronic Architecture”. Conte pra gente um pouco mais sobre essa nova série de CDs.

Eu queria elevar o compasso um pouco, as compilações de EDM se tornaram tão genéricas e sem graça, e o Electronic Architecture é uma tentativa consciente de se fazer algo um pouco diferente. O ouvinte incumbe ao DJ a tarefa de levá-lo em uma viagem - eu quis fazer dessa viagem algo um pouco mais desafiador... novos artistas e nova música ao invés da combinação usual e previsível de grandes nomes e grandes faixas. Ao longo dos anos eu descobri que na maioria das vezes as primeiras produções de um artista estão entre as mais interessantes de sua carreira, e como eu recebo tantos promos não-assinados tanto para o meu selo como para o meu radioshow me pareceu sensato guardar alguns deles para esse projeto.
Eu trabalhei juntamente com vários desses artistas através da web a fim de finalizar as produções até atingirem o padrão requerido. Além disso, voltando aos gloriosos dias de Renaissance e Northern Exposure, muita atenção era dada ao conjunto da música. Era algo bonito de se ver e a arte era uma parte integrante da experiência. Além de tudo isso, os visuais "in-club" tiveram um papel importante nisso tudo. No Electronic Architecture nós criamos uma combinação de músicas e imagens com o intuito de envolver o ouvinte, de modo a gerar uma experiência completa, e não só auditiva. Eu quis criar um album que as pessoas parassem o dedo e o escolhessem ao transitarem por uma estante de CDs velhos e empoeirados muitos anos depois.

06 - E tem mais novidades do Solarstone por aí?

O último single do Rain Stars Eternal "Part of Me" (com a Elizabeth Fields) é o próximo a ser lançado, com remixes do Thrillseekers, Vlind e Paul Keeley; além disso, irá sair o meu “Subterranean Remix” da faixa "Mirror" do Winterlight, a qual está para ser promovida pela Solaris. Eu também acabei de começar a trabalhar no próximo álbum do Solarstone, o qual eu pretendo terminar até o início de 2010. Já existem várias colaborações interessantes programadas até o momento.

07 - Entre os produtores da nova geração, quais você destacaria?

Os produtores que eu destaco no momento são Brenden LaBonte, Vlind e Daniel Muhaud, todos que estão trabalhando comigo em meu selo, fazendo ótimas faixas e remixes. O Daniel é um que merece um destaque maior, pois ele faz muitas coisas diferentes ao mesmo tempo, diria que lembra muito o Boom Jinx.

08 - Você acha que podemos dizer que o trance atual ainda tem o mesmo conceito daquele criado no começo dos anos 90?

O trance está caminhando cada vez mais para uma linha “espacial” e totalmente minimalista, mas ele está em constante desenvolvimento. Quando os DJs largam o trance, eles não percebem que estão golpeando o estilo, e isso pra mim é patético. Eu também sempre amei o deep house, o DJ francês L’ul fez pra mim uma das melhores séries que já existiu, o “‘Straight To DAT Series”, um deep house adequado para “bombar”.

09 – O que costuma ouvir, fora da música eletrônica, quando está descansando, em casa, etc?

Meu gosto musical é bem eclético, ouço desde Pink Floyd, Pet Shop Boys e Morrissey, até algumas coisas de música clássica moderna. Emily Howard é uma grande compositora.

10 – Um lugar para visitar e um lugar para tocar?

Eu estou louco para conhecer a Nova Zelândia, dizem que é parecida com Wales só que em larga escala. New York é uma cidade que gostaria muito de tocar, espero que meu agente consiga fechar algumas datas da tour de lançamento do Electronic Architecture por lá.

11 - Você já tocou algumas vezes no Brasil. O que achou do nosso país, do nosso público?

Sim, toquei diversas vezes no Brasil e eu AMO esse país. Se minha família não fosse toda de UK e meu filho não fosse tão ligado a eles, com certeza eu moraria no Brasil. Quem sabe no futuro quando ele estiver mais velho?

12 - Você conheceu um pouco da música brasileira? E os produtores de música eletrônica daqui?

Infelizmente não, minha “geografia musical” não é tão extensa ainda. Você precisa passar muito tempo em um lugar para poder absorver sua cultura musical – talvez vocês pudessem me indicar alguns nomes para eu pesquisar!

13 – Um top 5 atual:

01 - Robbie Nelson - Aviator [Crashing Waves]
02 - Winterlight - Mirror (Solarstone Remix) [Life Without Art]
03 - Union Jack - 2 Full Moon & A Trout (Orkidea Remix) [CDR]
04 - Majera - Believe [Solaris]
05 - Stacker - Tell Me Why [Crashing Waves]

14 – Um top 5 de todos os tempos:

New Order - True Faith: Pra mim o mais perfeito pop já gravado.
Vangelis - La Petite Fille De La Mer: Uma peça musical maravilhosa, fascinante.
Pet Shop Boys - Being Boring: Possivelmente seu registro mais bem feito até hoje.
Pink Floyd - Great Gig in the Sky: A performance do vocal nessa música é indescritível.
Sunscreem - Love You More: Minha dance music favorita, pra sempre!

15 – Obrigado pela entrevista Rich, o Energy BR e todos os leitores agradecem! Deixe uma mensagem para a comunidade trance brasileira e todos os seus fãs no Brasil:

Vocês são muito sortudos em viverem em um país maravilhoso. Eu mal posso esperar pra voltar!


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