Acredito que para todos os amantes da música eletrônica o Ultra Music Festival de Miami está na lista das festas que desejam curtir pelo menos uma vez na vida, e asseguro com toda certeza: uma vez será pouco! Este ano a edição do UMF Miami aconteceu nos dias 27 e 28 de Março no Bicentenarial Park como na edição anterior, com uma lista de artistas que fica pra lá de impossível de acompanhar todos. Com uma estrutura impecável de som, iluminação e palcos, pude entender o porquê deste evento ser tão conceituado.
Com um sistema de som que pouquíssimas vezes pude presenciar, tanto em eventos fechados quanto ao ar livre, a qualidade e força do PA do Main Stage e da tenda Carl Cox & Friends Arena eram absurdas. O primeiro impacto é de uma arritmia respiratória causada pela vibração dos subs e uma extrema fidelidade de médios e agudos que arrepia a cada congelada - o que acontecia freqüentemente.
Acompanhando o mesmo altíssimo padrão do som, o sistema de iluminação é algo que realmente não vemos nos eventos em terras brasileiras. Inúmeros lasers, moving heads, cryon machines (um jato de ar congelante que faz a galera ir ao delírio), telões, leds, e mais uma parafernália que não faço idéia do que seja, proporcionam uma experiência artista / público / evento realmente única.
Ultra Music Festival Miami - Primeiro Dia
O primeiro dia do evento se iniciou às 16hs da sexta-feira, 27, e foi até às 00:00hs, quando a lei do silêncio prevalece e o evento realmente deve se encerrar sem mais nem menos um minuto e, neste pequeno intervalo de tempo, você precisa se programar muito bem para conseguir curtir a festa e ver os artistas que te agradam.
Até chegarmos ao festival e passearmos por todas as tendas e conhecer toda a estrutura, levamos aproximadamente umas duas horas e aí começamos a curtir a festa.
A nossa primeira atração foi ninguém menos do que Richie Hawtin @ Carl Cox & Friends Arena. Até entrar na tenda, achei que seria uma apresentação lotada de minimal e coisas experimentais. Enganado completamente, fiquei impressionado com o techno cheio de groove e congeladas que levavam a galera ao delírio na tenda que leva o nome do King of The Clubs.
"Quebra tudo lemãozinho!"
Após Richie Hawtin fomos escutar o que rolava no palco principal do UMF e era a vez do dono da marca "F*** me I'm famous", David Gueta. Com um som que misturava hits e uma pegada de break com acid house, o francês fez a galera ir ao delírio e soltar a voz com o seu sucesso "Love Is Gone", e logo em seguida embalou um remix de "Breathe", do The Prodigy e por aí foi.
"Love is Gooone"
Finalmente, após muita ansiedade, pude deleitar meus ouvidos com a técnica impecável, o carisma, o feeling e o groove inconfundível de ninguém menos que Carl Cox, The King of The Clubs. Não é por menos que a maior tenda do festival, com um sistema de som ridículo de forte, iluminação alucinante, lasers, smoke machines, cryon machines, telão de leds e um line-up incrível, leva o nome deste artista.
Com uma identidade sonora única, Carl Cox mostrou porque é considerado o rei dos clubs: arrancava gritos da galera que lotava sua tenda e se aglomerava até o lado de fora a cada congelada e com a sua famosa interação com o público através do microfone. Com um som repleto de grooves e uma mistura perfeita entre a nova geração do techno e o old school, fazia com que, freqüentemente, eu me perdesse ao tentar desmistificar seu som e simplesmente quisesse apenas dançar sem parar. O que aconteceu até as 23:30 hs, quando saímos do Ultra e fomos para o Club Space escutar Paul van Dyk.
"The King Of the Clubs"
"Som, vídeo e iluminação sincronizados"
Paul van Dyk @ Space
Ao chegarmos no club Space, o então residente Edgar V. estava tocando minimal e ao passar da noite foi esquentando com um house finíssimo, passando para um progressive até que aproximadamente as 2:50 da manhã o vencedor de inúmeros prêmios, Paul van Dyk, assumiu o som fortíssimo de um dos clubs mais famosos de Miami.
"I'm in Miami, bitch!"
De todas as vezes em que pude escutar PvD, essa foi a que mais me agradou. Com um som pesado, quase nenhum hit, intenso, cheio de emoções e mixagens surpreendentes, Paul van Dyk fez com que todo o cansaço sumisse e somente uma vontade de dançar e curtir assumisse o comando, e assim foi até as 6 da manhã quando saímos do Club e ele ainda presidindo na pista que permanecia lotada até o momento.
"Lenha, lenha, lenha!"
Ultra Music Festival Miami - Segundo Dia
Neste segundo dia de festa, o UMF Miami se iniciou mais cedo que no dia anterior, às 12:00 hs do sábado. Chegamos ao evento por volta das 16:00 hs, onde logo em seguida Above & Beyond fariam uma apresentação fantástica.
Com um repertório muito mais pesado que o habitual, Above & Beyond surpreenderam com um set repleto de energia, com uma pitada na medida certa de melodia e vocais. Com apenas 1 hora de apresentação, Jono e Tony puderam provar porque continuam subindo no Top 100 DJ Pool da revista inglesa Dj Mag, ocupando atualmente o 4º lugar. Levaram a galera ao delírio, e, particularmente, foi a atração que mais me surpreendeu durante os dois dias do UMF Miami.
"A melhor apresentação do UMF Miami 2009"
Após 1 hora do melhor set de trance que escutei em toda a semana do Ultra, incluindo as noites durante toda a semana nos clubs, fomos até a Carl Cox & Friends Arena para curtir Erick Morillo, que, mesmo mantendo a sua linha de house, me surpreendeu com a energia e peso que passava ao público que fervia a arena pouco se importando para o calor que fazia. Ao encerrar com estilo o seu set com um remix trance de "With Or Without You" da banda irlandesa U2, o nova-iorquino preparou a pista para o inglês Moby.
Ano passado escutei o set que Moby fez na mesma arena, na décima edição do UMF Miami, com o qual havia me surpreendido e estava ansioso para escutar o que vinha pela frente. Incrivelmente minhas expectativas foram satisfeitas e Moby entrou arrebentando a pista, desmontando a tenda do seu conterrâneo, levando a galera - e eu - ao delírio. Uma mistura de techno com breakbeat fez com que me sentisse como o cara do vídeo "Body Rock", do mestre Moby.
"Erick Morillo entregando a pista fervendo para o Moby acabar com tudo!"
Depois de uma tremenda dose de adrenalina, voltamos ao Main Stage para prestigiar o atual #1, segundo a revista Dj Mag, Armin Van Buuren. Muitos poderão torcer o nariz com o que achei do set dele, mas, esperava mais. Com uma abertura insossa, o holandês fez jus ao título apenas no final do seu set, onde realmente embalou e conseguiu fazer a galera se soltar e gritar a valer.
"The #1"
Já na área principal do evento, ficamos a aguardar a tão esperada atração do dia: The Prodigy. Com uma estrutura de equipamentos que levou cerca de 40 minutos para ser montada enquanto Pete Tong segurava a galera entre um hit e outro, The Prodigy abriu o show com uma Intro Mix de "Invaders Must Die" - trilha oficial do evento - e por aí começou a fazer um tour entre as músicas do seu novo album "Invaders Must Die" e algumas clássicas como "Breathe". O ápice da apresentação se deu quando tocaram uma versão alucinógena de "Invaders Must Die" e saíram com "Smack my Bitch Up". Emoção demasiada no momento. ;)
"The Prodigy Intro"
Assim que a dose de Rock ‘n Roll se expirou, voltamos para a tenda Carl Cox & Friends para mais uma dose de grooves, congeladas alucinantes e o impagável e insubstituível techno de Carl Cox. Escutar o famoso "Oh Yes Oh Yes! Keep rocking right here!" com o sotaque inglês no meio da quebradeira geral que o rei fazia no último dia de UMF Miami é algo indescritível.
"The King of The Clubs"
Logo em seguida, exatamente às 23 hs do sábado, o show de encerramento do Ultra ficou mais uma vez na responsabilidade de ninguém menos que Paul van Dyk. Por se tratar da última apresentação de todo o evento, o alemão recebeu um discurso de despedida emocionante em cima da cama de uma das melhores tracks de Simon Patterson, "Thump", usada na abertura da sua apresentação que foi de arrepiar. Essa track, Paul van Dyk quebrando tudo, somado a uma estrutura de palco do Main Stage, um PA retardado, um clima que só Miami oferece, no encerramento de uma semana de festas, pool partys, clubs e do UMF, resultaram numa experiência que não pode ser descrita.
"Sir Paul van Dyk"
Mesmo com os problemas que encontramos para comprar os ingressos online e a falta de água no final do evento, o UMF Miami obrigatoriamente deve ser incluído no roteiro daqueles que procuram novas experiências e estão abertos a conhecerem novos conceitos e quebrarem paradigmas. Como DJ, a minha principal lição depois de tudo isso é ver que o que realmente importa é a diversão do público, não importando estilo, vertente, selo e muito menos a idade da track.
Ano que vem estarei lá com certeza.
Até lá!
PS: Desculpem pela filmagem tremida. É difícil filmar e dançar ao mesmo tempo... ;)