Gareth Emery
por Rone Amabile

24/11/2009

Ele é um dos maiores e melhores produtores de trance e progressive da atualidade, e acaba de lançar a primeira compilação de seu mais novo selo, a Garuda. Confira a entrevista exclusiva com o inglês Gareth Emery, que com apenas 29 anos é um dos mais promissores talentos da música eletrônica mundial.

01 – Olá Gareth, primeiramente muito obrigado pela entrevista, nós e seus fãs brasileiros agradecem.


É um prazer!

02 – Você já teve músicas incorporadas em várias compilações, mas somente agora lança a sua primeira compilação chamada “The Sounds Of Garuda”. Você acha que ela vem no momento certo da sua carreira? Por que não tivemos nada assim antes?

Na verdade eu lancei em 2005 um álbum chamado “The Five AM Sessions”, o qual foi junto a um selo que eu costumava estar envolvido, e em 2007 eu lancei o “The Podcast Annual”, que continha algumas das melhores músicas do meu podcast daquele ano.  Acredito que como eu não era muito conhecido, então provavelmente você não os notou, mas eles são álbuns bem legais, se você estiver interessado em conhecer meu trabalho anterior, basta dar uma checada.

03 – Imaginamos que selecionar músicas para uma compilação não seja um processo fácil, são muitas músicas para ouvir até chegar na seleção ideal, assim como muitas boas músicas também devem ficar de fora. Como foi o processo de seleção das músicas que compõe essa compilação? Teve alguma ou algumas músicas que você lamentou ter que deixar de fora?

Essa compilação na verdade foi bem direta, já que decidimos fazer esse CD com pouco tempo, então eu tive poucas semanas para escolher as músicas. Para o CD 01, que contém apenas coisas novas, eu estava literalmente ligando para os produtores que eu gosto e perguntando se eles poderiam me suprir com material exclusivo, e felizmente Ashley Wallbridge, Pulser, Activa, Beltek, Ben Gold, Greg Downey, entre outros, me ajudaram muito enviando músicas fantásticas. Já o CD 02 foi um desafio um pouco maior, já que é um review de 2009 e contém minhas músicas favoritas do ano, foi difícil reduzir a 15 músicas, mas eu tenho total certeza que fiz as escolhas certas.

04 – Logo no começo de sua carreira você teve duas músicas que lançaram seu nome no mundo da dance music, um remix de “Nervous Breakdown” e um clássico do trance GTR – “Mistral”. Qual a importância delas para você?

“Nervous Breakdown” foi a minha primeira track de todas, foi um hit underground e bem mais pesado do que meu som de verdade. Ela foi sendo tocada por pessoas como Lisa Lashes e Eddie Halliwell, então, embora tenha sido ótimo ter meu primeiro sucesso gravado, não era bem o tipo de som que eu seguiria fazendo. Sobre “Mistral”, que as pessoas ainda pedem e ocasionalmente eu toco, foi de fato a música que começou tudo isso. Instantaneamente se tornou um hit com Tiesto, Armin, Paul Van Dyk, Ferry e fez com que eu fosse contratado por clubes como Godskitchen e Slinky. Por outro lado, também foi difícil de continuar um sucesso tão grande como esse tão cedo, e bem honestamente, eu não acho que consegui até fazer “Another You Another Me” junto com o Lange, quatro anos depois.

05 – O fato de você ter estudado piano clássico influenciou até onde em suas primeiras produções? Você ainda usa essa influência nos dias de hoje?

Eu não tenho certeza de que isso fez tanta diferença. Muitas pessoas sem esse tipo de treinamento ainda fazem ótimas músicas, e ainda antes de ter aprendido, eu conseguia tocar piano bem sem ter tido lições. Então, embora isso não seja realmente essencial é bem útil para adquirir conhecimento de acordes e teoria musical.

06 - Existe alguma preferência entre tocar e produzir? E se tivesse que escolher uma?

Ambos são ótimos do seu próprio jeito. Um grande DJ set gera uma repercussão instantânea. Você está naquele momento e aquele momento é fantástico... Mas uma vez que a noite acaba e o clube fecha, é isso e acabou. Então essa repercussão tem vida bem curta.  Enquanto  produzir, o verdadeiro processo de fazer uma música não é algo nem próximo de ser divertido. Você está lá, sentado em um estúdio escuro escutando o mesmo pedaço de música centenas de vezes e provavelmente bebendo um monte de café. Mas uma vez que você termina a música, ela vive por anos. Então, embora o ato de fazer uma música não seja muito divertido em si, uma boa música lhe dará uns 10 anos de divertimento. Escolher entre um e outro? Impossível.

07 – Qual é a melhor e pior parte de produzir? E qual é a melhor e pior parte da vida de DJ?

Melhor parte de produzir: Ver as pessoas ao redor do mundo amando, indo à loucura por causa de algo que você compôs e criou.

A pior parte de produzir: Ter que ouvir a mesma música várias vezes enquanto está criando fazendo você deixar de gostar disso. É sempre duro de lembrar porque a faixa soava bem no começo, mas você tem que se esforçar para terminá-la.

A melhor parte da vida de DJ: Existem tantas coisas incríveis, eu me sinto sortudo só por poder falar nisso. O
público fantástico, as oportunidades de viajar, e claro todo o estilo de vida é muito divertido já que freqüentemente somos mimados com hospedagem em grandes hotéis.

Pior parte da vida de DJ: Viajar demais, trabalhar demais. Quando você está fora para 10 ou mais gigs em um mês, ter um estilo de vida regular é praticamente impossível. Você dificilmente vê seus familiares e amigos, e você também está sempre trabalhando, sempre que você tem uma chance, em um avião ou em qualquer lugar, você abre o seu laptop e se prepara para outra gig, ou terminar uma faixa, ou um podcast, etc. Isso não é um trabalho, é um estilo de vida. E uma vez que você se torna razoavelmente bem-sucedido isso toma conta da sua vida e se torna muito difícil manter qualquer coisa que não seja parte do mundo de DJ. Isso pode ser difícil.

08 – Você deu um salto enorme na última votação da revista DJ Mag, qual é a importância desse tipo de disputa atualmente no mundo da dance music? A votação realmente reflete a realidade sobre quem é o melhor DJ do mundo?

Não, elas não refletem a realidade de quem é o “melhor” DJ do mundo, mas eu não acho que a votação alguma vez reivindicou isso. Ela reflete para quem o público vota, então ela trata de quem é o mais popular do que de quem é o melhor, e claro que fãs de trance tendem a votar em maior número, então por isso você vê os nomes de trance indo muito bem em votações.

Pra mim a votação não é tão importante, mas é legal. Ano passo, eu acho que as pessoas vieram para me ver, porque eles curtem a minha música, meu podcast ou o que quer que seja, e não porque eu era o número 23, e acho que dessa vez será a mesma coisa. Mas claro que foi uma grande surpresa subir tanto. Foi um ano muito bom – Eu tive grandes faixas como “Exposure” e “Metropolis”, toquei em grandes festivais como Global Gathering e Dance Valley, lancei a Garuda como selo e marca, e também nossa noite em Manchester. Então subir (no ranking) não era uma grande surpresa, mas de forma alguma eu esperava subir tanto assim.

09 – Muitos DJs e produtores com o passar dos anos acabam mudando seu estilo musical, alguns até de forma radical, você consegue se imaginar produzindo e tocando algo bem diferente daquilo que você faz hoje?

Na verdade não, eu ainda amo a música que eu toco, e embora meu som tenha mudado sutilmente através dos anos em linha com as tendências da cena, eu nunca mudaria drasticamente na calada da noite. Ou se eu o fizesse buscaria um novo nome. Gareth Emery está associado com trance, progressive e house de qualidade, e se as pessoas vem te ver para isso e recebem algo muito diferente, não é muito justo com elas.

10 – Atualmente o mundo da música eletrônica é ditado por tendências, nos últimos anos foi o electro, recentemente o minimal e ainda mais recente o tech-house. Como você vê esse hibridismo que cada vez mais toma conta a música? Você acha que é uma tendência natural ou que de certa forma isso é imposto pela indústria musical que precisa se reciclar a todo momento?

Isso apenas acontece, e se as tendências são uma coisa boa ou não, não deixarão de serem feitas e hypar o que for, então nós devemos apenas deixar isso acontecer. Eu acho que há tanta coisa boa sendo incorporada ao trance desses estilos que você mencionou.

11 - Recentemente você produziu uma das melhores músicas dos últimos anos, “Metropolis”, e pra mim é uma aula de como toda música deveria ser, é impossível classificá-la em qualquer estilo dentro do trance. Conte-nos um pouco sobre a concepção dessa música, quanto tempo levou? Alguma inspiração especial? Algo curioso a respeito?

Originalmente eu produzi o riff de “Metropolis” em 2005, mas na época não achei que era a música certa, então eu tentei novamente em 2008, ficou legal e finalmente terminei em 2009. Eu sabia que o riff era algo especial, então a música como um todo tinha que ser a melhor possível quando finalmente fosse lançada, e mesmo a demo original que eu testei em Miami esse ano não estava tão poderosa quanto à versão final. É sem dúvida alguma uma faixa que eu estou muito orgulhoso de ter feito.

12 – Você tem algumas datas agendadas agora na América do Sul e três delas são no Brasil, qual sua expectativa de tocar por aqui?

Eu sempre tive grandes gigs no Brasil e sempre recebi muito carinho dos brasileiros, mas não tenho passado por aí desde 2007. Como você pode imaginar eu estou muito, muito ansioso de poder voltar. Espero que seja tão bom quanto eu me lembro de ter sido.

13 – Os produtores brasileiros tem ganhado espaço a cada ano. Produtores como Fabio Stein, Danilo Ercole, DJ Jack, entre outros, estão sempre nas playlists dos grandes nomes da e-music, e as músicas são lançadas por selos de grande prestígio. Você acompanha de alguma forma o trabalho dos brasileiros?

Sim, eu tenho tocado faixas de todos eles e é bom vê-los acenando a bandeira da música eletrônica Brasileira pelo mundo.

14 – Quem seria Gareth Emery se não estivesse envolvido na música?


Bom, eu tenho um diploma em Política e ainda tenho muito interesse na área, então provavelmente eu estaria fazendo isso, mas provavelmente eu estaria envolvido mais em algum tipo de negócio próprio do que em um trabalho normal.

15 – Uma pergunta que eu adoro. Diga-nos um momento inesquecível como DJ e um momento que você gostaria de esquecer.

Momento inesquecível: Existem tantos, mas o mais recente foi meu 29º aniversário em julho, quando eu estava tocando na Guvernment em Toronto. Eu tinha tocado 3 vezes nos últimos dias e estava bem cansado, mas fiz um long set de verdade para um clube lotado com uma reação fantástica do público durante todo o tempo, essa foi a única vez em uma festa no meu aniversário e por isso foi muito especial pra mim.

Momento pra esquecer: Quando eu estava tocando no Dance Valley e o CD que estava tocando o meu remix de “Lonely Girl” do Oceanlab pulou vezes em seguida. Claro, estava riscado! Foi péssimo.

16 – Existem aqueles fatos que acontecem somente no backstage, ou durante as viagens, e que poucas pessoas ficam sabendo. Aconteceu algo divertido ou muito curioso com você ou que você tenha presenciado?

Não consigo pensar em nada, a área do backstage não é tão empolgante quanto às pessoas imaginam.

17 – Gareth, mais uma vez obrigado pela entrevista, deixe uma mensagem para seus fãs brasileiros que aguardam ansiosamente a oportunidade de vê-lo se apresentar.


Vejo vocês na pista – mal posso esperar!

voltar






  
Roger Shah
Solarstone
Markus Schulz
Soundlift
Dash Berlin
Gareth Emery
Sied van Riel
Solarstone
Brian Transeau - BT
John Askew