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Markus Schulz
por Rone Amabile |
25/01/2010
Com datas marcadas para tocar no Brasil no final de janeiro, entrevistamos exclusivamente um dos maiores DJs de trance/progressive da atualidade, o alemão Markus Schulz, que fala um pouco sobre sua carreira, seu projetos futuros, e muito mais! Confira.
01 - Olá Markus, muito obrigado pela entrevista, é um grande prazer poder entrevistá-lo, especialmente porque sou um grande fã do seu trabalho.
É um grande prazer pra mim também.
02 - Você nasceu na Alemanha e mudou-se ainda jovem para os Estados Unidos onde vive até hoje. Como é a relação com sua terra natal?
Minha relação é de fato muito boa. Eu tenho uma casa em Berlim e uma em Miami. Amo o que essas duas cidades têm a oferecer. Elas são muito diferentes uma da outra e é disso que eu gosto. Se tivesse que escolher uma casa permanente, não saberia dizer hoje onde seria. Existem tantas cidades incríveis no mundo que tive oportunidade de visitar. Sou muito sortudo nesse aspecto.
03 - Conte-nos como foi parar em Miami.
Eu mudei para os Estados Unidos com meu pai que era do exército. Miami é uma cidade incrível, com uma atmosfera incrível. Amo o oceano e o calor (embora nem tão quente assim durante as duas últimas semanas) – Estou sempre na estrada, então poder voltar para casa em Miami é sempre muito bom.
04 - Miami é conhecida mundo afora pela forte cena house e por não ser muito aberta a outros tipos de sons com poucas exceções. Como é trabalhar com a cena de Miami?
Há um forte e muito dedicado grupo de fãs de trance em Miami. Há pelo menos um grande evento em algum club todo mês por aqui. Eu acho que Miami é vista como uma cidade de férias e um oasis de celebridades, então a cena trance não é realmente levada em consideração. Mas com clubs como a Space e eventos como o Ultra, que a cada ano ficam mais fortes, isso demonstra o amor pela música.
05 - Sua legião de fãs de trance é enorme, mas você em outras oportunidades disse que o som que você faz não é realmente trance, de que forma você enxerga o seu som, existe alguma forma de classificá-lo, você gosta de classificá-lo?
Eu acho que estava me referindo ao meu som não ser trance no sentido literal da palavra. É um som mais profundo do trance. Nunca estive realmente interessado no som mais superficial. Sempre gostei de sons mais obscuros e mais grooveados, quase como se fosse um groove de house, só que eu gosto mais de melodias, então meu som tem sido mais como um groove houseado com melodias de trance. Se combinar isso com um bassline bem sujo e obscuro, então aí nós temos o que chamamos de um som “Markus Schulz”.
06 - Ao longo da sua carreira em raros momentos você fez uso de algum alias para lançar suas produções, e agora recentemente foi lançado um álbum só com produções de seu trabalho como Dakota. Como foi a concepção desse trabalho? Você acredita que era hora de um trabalho totalmente dedicado a esse lado?
Momentos muito raros! “Lost in Brixton” que foi a última faixa lançada como Dakota (anterior ao álbum) foi em 2001. Ano após ano desde então, “Lost” e outros dois singles acabaram desenvolvendo uma espécie de culto. As pessoas perguntam mais sobre eles, você os vê sendo ressuscitados em sets com uma freqüência cada vez maior – e depois de um tempo você acaba gostando desses incidentes e isso faz sua mente começar a trabalhar em possibilidades para o futuro. Após alguns anos todo artista desfruta a chance de fazer algo diferente musicalmente, combinando sons de diferentes estilos em algo novo. Esses foram todos os fatores que juntos fizeram com que eu ressuscitasse o nome Dakota e trouxesse a público um álbum inteiro.
07 - Como você definiria as principais diferenças entre o seu som como Markus Schulz para suas produções enquanto Dakota, como funciona essa divisão na sua mente e na prática? Quero dizer, você consegue ter um momento em que decide “ok...agora vou produzir como Dakota/Schulz” ?
O som de Dakota é um som mais frio e mais underground que eu estava produzindo há alguns anos atrás. Eu realmente queria me jogar novamente dentro daquela forma de pensar, então decidi começar o projeto novamente e me abrir para sons de sub-gêneros da música eletrônica além do trance; estilos como deep house, techno, progressive e até mesmo um pouco de electro. Quando comecei esse projeto, apenas queria fazer algumas músicas mais darks para os meus DJ sets do último verão. Mas como as produções progrediram, percebi que era um material muito mais profundo do que o que eu estou acostumado a fazer, e não queria deixar os fãs confusos achando que estava mudando meu estilo. Então decidi que colocar todo esse material sob o velho alias Dakota, nome que eu usava no passado era uma idéia melhor.
08 - Seu próximo trabalho a ser lançado terá Las Vegas como seqüência de suas “Compilações Cidades”. Por que batizar a série dessa forma? E qual o critério para escolher a próxima homenageada?
Eles são como retratos instantâneos daquele momento da minha vida, o que eu estava pensando e sentindo naquele lugar, naquela época. Sempre escolho cidades que tem um significado para mim, que eu sinta uma real conexão. Muitas pessoas dizem que você vê grandes diferenças mudando de país – isso é natural. Eu na verdade pensei e penso que você vivencia experiências maiores apenas indo de uma cidade para a outra. Isso há muito tempo é pra mim uma fonte de fascinação.
Em termos de critério, como sou apaixonado em contar as pessoas, Vegas foi submetida a uma revolução de deixar os olhos esbugalhados, revolução essa que vem sendo ditada mais do qualquer coisa pelos cassinos. Está se tornando – ou talvez já tenha se tornado – a nova capital de clubs dos EUA. Através de noites como a Rain @ Fabulous e Moon @ The Palms, Vegas tem mudado aquele perfil de pessoas que só querem aparecer e usar jóias para algo que tem apelo para os clubbers.
09 - Depois de Las Vegas será que poderíamos esperar por uma próxima compilação homenageando uma cidade brasileira? Já teria alguma em mente?
Honestamente, no Brasil seria uma escolha dura. Eu já toquei em muitas cidades por aí e todas elas foram bastante incríveis de um jeito ou de outro. Inconscientemente ou de outra forma, fico propenso a escolher cidades capitais, então eu teria que dar uma séria consideração a São Paulo.
10 - Você é um fã declarado do ProTools para produzir suas faixas. O que mais tem no seu estúdio?
No meu estúdio eu uso Ableton, Logic e Pro-Tools. Acho que é importante usar todos os tipos de ferramentas disponíveis para fazer sua música. No Logic amo todos os synths e plugins dele. O Ableton é incrível para fazer loops e aqueles efeitos de glitchty, e, claro, a engenharia de som no Pro-Tools é incrível, eu realmente gosto de mixar tudo usando esse sistema.
11 - O ranking da Dj Mag é um assunto inevitável, e ao longo dos últimos anos sua subida tem sido constante. O topo do ranking é um objetivo que você busca ou apenas uma conseqüência?
Quando você começa não pensa realmente muito sobre essas coisas – elas apenas acontecem. É legal que aquilo que você faz trabalhando de um ano para o outro reflete de alguma forma. Então vamos colocar dessa forma: O que eu acordo pensando em todas as manhãs não é o Top 100, é sobre em que lugar do mundo eu estou, que país, cidade e club eu vou bombar na sequência, e como essa experiência será pra mim.
12 - O Global DJ Broadcast começou em 2002 durante o WMC e hoje é um dos programas mais ouvidos e de maior prestígio da música eletrônica. Como foi esse começo e a evolução até os dias de hoje? Quais foram as grandes mudanças ao longo dos anos?
O GDJB começou na WPYM em Miami. E depois foi incorporado a DI.FM como afiliada na internet e cresceu a partir daí. O show vai indo muito bem. Sempre tive esse sonho de ter um programa de rádio e inspirar outras pessoas com música como eu me inspirava quando era criança. Costumava sentar e ouvir rádio durante dias. Isso me ajudou durante alguns momentos difíceis. Estar agora do outro lado disso tudo é algo muito especial para mim.
13 - Com um programa de rádio semanal é importante ter sempre coisas novas para apresentar aos fãs, e ao mesmo tempo deve ser um trabalho exaustivo filtrar tudo que você recebe. Eu não consigo imaginar a quantidade de material chega até você diariamente. Como é o processo de filtragem de todo esse material? Você escuta tudo que recebe?
Escuto tudo, pelo menos tudo que venha de um selo!
14 - Alguns de seus programas são gravados ao vivo durante suas apresentações, e fiquei sabendo que um dos próximos poderá ser gravado no Brasil no Club Sirena, a informação procede? É uma tendência definitiva para o programa ou algo que é feito apenas durante uma época do ano?
É verdade sim! Você perguntou antes sobre mudanças no GDJB. Eu acho que a maior mudança tem sido a World Tour. Nós agendamos a data da World Tour como o primeiro show de todo mês, o que resulta em duas horas de um mix contínuo vindo de um novo clube ou evento. Em 2009 nós fizemos algumas transmissões muito especiais da World Tour, o que eu acho que liga os sons intrínsecos individuais de clubs de vários cantos do planeta – lugares como Medelin na Colômbia, São Petersburgo na Rússia e Amnésia em Ibiza. A chave do sucesso é escolher gigs que vão levar a diferentes experiências para as pessoas que escutam o show.
Sirena em São Paulo é nossa data de Fevereiro. Todos que forem vivenciar isso durante essa noite poderão depois de alguns dias vivenciar tudo isso novamente através do programa. O Global DJ Broadcast é transmitido na Rádio Dance Paradise no Brasil toda semana aos sábados as 18h, então você pode ouvir novamente na rádio também.
15 - Como seria o festival perfeito? Em termos de público, estrutura, sistema de som, vibe, etc...
Luz do Sol! A Luz do Sol muda tudo.
16 - Como seria um dia bem incomum na vida de Markus Schulz?
Um em que eu não precise ir a lugar algum, não tenha centenas de coisas para fazer e onde eu possa apenas sentar e relaxar completamente durante 24 horas. Esse seria um dia bem fora do comum pra mim.
17 - Por trás das câmeras sempre acontecem fatos curiosos, você vivenciou algum acontecimento curioso, engraçado ou assustador durante suas viagens e apresentações?
Eu tenho um medo terrível de altura e eu sempre me preocupo com a altura do palco nos festivais de verão. Eu estive ano passado na Godskitchen Boom Box Tour (onde a cabine do DJ fica suspensa lá em cima), foi uma experiência e tanto.
18 - Markus, mais uma vez muito obrigado pela oportunidade dessa entrevista, esperamos vê-lo sempre aqui no Brasil, e pra finalizar deixe uma mensagem para seus inúmeros fãs daqui.
Sem problema Rone, obrigado a vocês também pessoal! E ao Brasil, hehe, não vejo a hora de vê-los aí em São Paulo no Club Sirena essa semana. O negócio vai ferver!
Markus Schulz - Las Vegas '10
Para saber sobre as datas de Schulz no Brasil, acesse os sites dos clubs:
28/01 - Club Nox (Recife - PE) - http://www.clubnox.com.br 29/01 - Confraria (Florianópolis - SC) - http://www.confrariadasartes.com.br 30/01 - Sirena (Maresias - SP) - http://www.sirena.com.br |
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