15/06/2010
Entrevistamos mais uma vez o inglês Rich Mowatt, mais conhecido como Solarstone, que faz nos fez um update de seu último ano de trabalho e que nos conta sobre seu mais novo artist album "Touchstone". Confira!
01 - Olá Rich, como vai você? É muito bom falar contigo novamente.
Olá, é um prazer falar novamente com o Energy BR! Estou muito bem obrigado, embora ligeiramente fatigado após alguns dias de trabalho duro no estúdio. Estou dando uma pausa no trabalho de fazer club mixes das faixas de “Touchstone” para trabalhar em algumas trilhas darks para filmes, o que tem sido realmente intenso, embora altamente prazeroso.
02 - Como foi esse último ano para você e para sua carreira? Você poderia nos destacar qual foi o melhor momento desse último ano? Foi melhor para você como produtor ou como DJ?
A indústria é uma criatura estranha, você nunca pode prever a forma como as coisas serão. Eu comecei os últimos 12 meses com o primeiro álbum de “Electronic Architecture”, era algo que eu precisava realizar de todo jeito, e para ser honesto, não esperava que atraísse tanta atenção como acabou acontecendo.
Eu realmente não conseguiria dizer qual foi o melhor momento do ano, houve algumas coisas bem especiais para mim; lançar meu selo experimental ´Molecule´ foi um bom momento já que eu gastei bastante tempo para montá-lo junto com o belíssimo website, e também o projeto SolarSwarm Records que tem excedido todas as expectativas – é realmente uma forte e próspera comunidade que temos ali ! Passar alguns dias em estúdio com o Orkidea foi um destaque também. Tive algumas ótimas datas como DJ também claro, mas meus momentos mais preciosos ocorreram no estúdio entre minhas máquinas e eu.
03 - Você tem um novo álbum chamado Touchstone prestes a ser lançado, o qual também é o nome de uma das faixas dentro dele. Por que escolheu esse nome para batizá-lo?
O tema do álbum é “inspirações”. E pra mim inspiração musical vem de várias formas. Pode ser de artistas pelos quais me apaixonei pelo conjunto da obra e admiro até hoje, ou simplesmente fragmentos de músicas que deixaram uma impressão duradoura em algum ponto marcante na minha vida. Touchstone é a culminação de todas essas inspirações. Uma das faixas do álbum ´Intravenous´é influenciada pelo Pink Floyd, uma das minhas bandas favoritas. Outra, ´The Best Way to Make Your Dreams Come Trus Is to Wake UP´, foi influenciada pelos Pet Shop Boys. O titulo ´Touchstone´ pareceu perfeito porque uma das definições do nome é “o reconhecimento ou referência a uma fonte visionária de inspiração”.
04 - Sobre sonoridades, hoje em dia a música eletrônica está convergindo para sons mais híbridos. A construção de uma faixa tem hoje muito mais opções, isso faz com que o processo seja mais fácil ou mais difícil, ou é apenas uma nova perspectiva de desafio? O que podemos esperar desse novo trabalho?
Bom, não tenho certeza se concordo com isso. Claro, produzir eletrônico (hoje) tem muito mais possibilidades do que em anos anteriores, mas se você estiver falando sobre composição, as regras sempre estiveram aí para serem quebradas. Eu não estou interessado em faixas feitas puramente de percussão e barulhos onde os modismos de produção contemporâneos são explorados até seu último fio de vida. Para mim sempre teve relação com vivacidade, melodia e emoção, independente do gênero onde esses elementos são executados. Compositores como Philip Glass têm experimentado sons fora do comum durante anos; e você também pode lembrar de JS Bach e ficar estarrecido com o que ele fazia com arranjos fora do convencional e que na época fazia as pessoas franzirem a testa. Eu sou fã do velho adágio “Não há nada novo embaixo do sol”, tudo que você pode fazer é seguir seu coração e fazer a música na qual você acredita.
05 - Como foi o processo, da concepção a execução? Eu me lembro que em nossa última entrevista você mencionou que sozinho você tem mais liberdade para expor suas idéias. Você teve alguma colaboração nesse trabalho?
Eu creio que quando eu mencionei o quão melhor “trabalhar sozinho” era, eu estava me referindo a não ter que ficar me remetendo a opinião de outra pessoa para nada. Colaboração com outros músicos em uma situação ocasional é diferente disso. Eu sempre me cerquei de grandes cantores e músicos desde que eu iniciei o projeto Solarstone em 1996, mas ultimamente eu decido o que serve ou não. Hoje em dia eu trago pessoas quando eu sei que elas podem fazer algo melhor do que eu, por exemplo, eu toco guitarra muito bem, mas se eu escrever algo que necessite de uma técnica particular a ser empregada, eu vou ligar para Bill McGruddy para me ajudar nisso - é uma questão de usar as melhores ferramentas que você tem a disposição, ou nesse caso, pessoas!
06 - A exploração de sonoridades regionais parece ser uma tendência atual, nós podemos notar várias produções seguindo por esse caminho. Você acredita que esse é o caminho da inovação? Você teve alguma inspiração parecida para o Touchstone?
Eu acho que você está se referindo a essa corrente crescente no trance do uso de instrumentos étnicos esquisitos?! Não vejo problema nisso, existem vários novos VSTs que permitem que você toque de forma convincente uma gaita de fole ou sei lá o que, se isso for melodicamente interessante então é válido, mas não estou certo de que as pessoas em particular em uma pista de dança queiram ouvir uma gaita de fole quando estão se perdendo em ecstasy. Eu toquei uma música fantástica no programa de rádio recentemente com um vocal persa bem incomum o qual eu adorei, e um dos meus produtores favoritos, Bot Cyprian, recentemente me mandou algo que ele está produzindo com vocais romenos e que era deslumbrante – então talvez tudo tenha seu lugar. Originalidade é certamente melhor do que complacência.
07 - Durante o último ano, você notou alguma mudança significativa no trance? E na música eletrônica em geral?
Acredito que um ano seja um espaço de tempo muito curto para analisar qualquer mutação de um gênero musical, mas se tivesse que dizer, diria que a velocidade das músicas tem diminuído novamente, o que de toda forma é sempre algo bom. Aquela técnica estúpida de side chain (não sei se vale colocar uma explicação sobre o que é essa técnica) ainda me irrita absurdamente, mas bem menos do que costumava, felizmente as pessoas estão se cansando disso! Tenho notado que alguns truques do trance encontraram seu caminho dentro de algumas famosas produções em selos de R&B, o que é algo sutilmente divertido. Algumas ótimas gravações foram lançadas durante os últimos meses, mas a maioria delas através de pequenos selos ou selos experimentais como Proton e Silk (meus dois selos favoritos).
08 - Existe algum plano de uma turnê? O Brasil está nos planos?
Claro, a turnê de “Touchstone” vem junto com o lançamento, ela começa em Sheffield UK em 25 de Junho, então vai para a Polônia, Holanda e Kuala Lumpur; a parte Asiática eu acredito que seja em Agosto. Eu adoraria voltar ao Brasil levando a turnê, é meu lugar favorito no mundo juntamente com São Francisco... e País de Gales, claro!
09 – Vamos atualizar. Qual é o seu atual Top 5?
01. Solarstone - Touchstone (Club Mix) (Solaris) 02. Pit Stoner - Flying Paper Plane (David Call Mix) (Molecule) 03. Forerunners – Ronin (Futura E.P) (Solaris) 04. Alexander Popov - Vapour Trails (Jahawi Remix) (solarSwarm) 05. Nick Rowland - Panic (CDR)
10 - Rich, mais uma vez obrigado pela entrevista, esperamos vê-lo por aqui em breve. Por favor deixe uma mensagem aos seus fãs.
Obrigado como sempre por me receberem e pelo seu suporte, espero vê-los novamente em breve!
Infos: http://www.solarstonetouchstone.com |